AS HORAS O QUE ESPERAM?
105. AS HORAS O QUE ESPERAM? se a tua boca espera, então talvez a minha carne reaprenda todos os idiomas que os dias usam para se esconder se a tua boca promete aquele cheiro da terra-arquiteta erguendo os verões e as flores, aí estarei eu sentado sem esperar mais nada se a tua boca diz: regresso trazendo teus tantos olhos e as versões do teu nariz, eu escolho uma pele do teu repertório e amargo o desperdício, como quem ignora a beleza da chuva e a filosofia do frio mas tua boca ignora isso aqui no silêncio, onde pingam algumas vozes que não costuro, a água de banhar-se tem esfriado muito cedo uma apenas (das vozes) se entrega na forma de um inseto que repousa sobre a fotografia e espera morrer no incêndio do teu cabelo [Altair Martins]